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Conhecer a equipa: GIVER, MATCHER ou TAKER

A liderança, seja de uma pessoa ou de 5000 pessoas, implica o reforço na atenção dos benefícios que as pessoas vão colher ao fazer o que lhes é pedido.

Não há nada mais poderoso para criar uma cultura de excelência do que apoiar o benefício das pessoas que estão a ser lideradas e com as quais há linhas de comunicação.

Numa equipa há sempre elementos que interagem com o grupo com interesses diversificados. Neste contexto, há um livro muito interessante chamado “Give and Take”, de Adam Grant, que identifica os tipos de reciprocidade que existem no seio das equipas. Este autor identificou três formas de reciprocidade: GIVER, TAKER e MATCHER.

Um GIVER (dador) é alguém que está na equipa focalizado em acrescentar valor para mais tarde se auto-excluir sem manter qualquer conexão emocional com o resultado (em português do dia-a-dia é aquele que dá e não espera receber).

Já um MATCHER é alguém que entra na equipa com a certeza de que vai acrescentar valor ou dar algum tipo de contributo, mas espera colher algo em troca (dá para receber).

Um TAKER é exatamente o que diz ser (apenas espera receber, sem contribuir com nada). Quem está interessado em ter um TAKER na equipa? Eu, não!!! 😡

Que tipo de reciprocidade é mais bem-sucedido no local de trabalho? Os resultados são surpreendentes!!!

Adam Grant realizou um estudo envolvendo estudantes de medicina, engenheiros e vendedores. A ideia era apurar quem obtinha melhores resultados escolares, vendia mais ou realizava melhores trabalhos de engenharia. Os resultados nos três grupos foram muito curiosos: os que apresentaram pior desempenho foram os “GIVERS” , mas, por outro lado, os que apresentaram melhores resultados foram também os “GIVERS” . Como isto é possível?😱 Então os dadores são os que têm melhor desempenho ou não? Numa análise mais aprofundada, Adam verificou que a diferença está no tipo de dadores: aqueles que apresentam melhores resultados davam prioridade às pessoas que estavam interessadas em receber, enquanto os dadores com baixo desempenho davam a todos😨 . Há ainda uma segunda razão que deriva da analogia do que se pode dar se o copo estiver vazio🍷. Não se dá nada, porque não há nada para dar. Por isso um dador deve ter sempre um balão de oxigénio (arte, vontade, sapiência, tempo, etc), só assim pode completar a sua dádiva.


"Mesmo os dadores devem ter objetivos e ambições para si mesmos que desejem alcançar. Têm de se cuidar!!!""

Assim, quem desempenhar o papel de líder, deve estar atento para que no processo de recrutamento de membros para a sua equipa, recrute mais “GIVERS” superdotados e evite os “TAKERS” (que é o pior tipo da reciprocidade no local de trabalho 😡). Às vezes isso não é tarefa fácil. Já para quem está no papel de quem procura um trabalho ou emprego, deve assumir-se “GIVER” e não “TAKER”.

Os MATCHERS são, na verdade, os polícias da equipa. Por outras palavras, quando na mesma equipa há MATCHERS, eles são o tipo de pessoas que denunciam os TAKERS que se aproveitam dos GIVERS. Desta forma representam elevado potencial para a equipa. Os MATCHERS podem ser vistos como queixinhas e bajuladores ou algo assim, mas na verdade não o são. Eles apenas tentam equilibrar a equipa porque não toleram a impunidade dos TAKERS. No processo de liderança é preciso ter noção de que os TAKERS existem; se for possível devem ser identificados no processo de contratação e postos de lado, contudo se essa revelação for mais tardia é preciso saber trabalhar com eles 💪.

Há instrumentos que os líderes podem incorporar no seio da sua equipa como forma de ajudar a apoiar a procura de uma cultura de excelência. Uma dessas ferramentas são os anéis da reciprocidade. Nesses grupos, os líderes podem incorporar uma cultura que ajuda a apoiar ainda mais os GIVERS estimulando-os a ser mais criativos, mais produtivos e mais colaborativos, com vantagens claras para a equipa e para a empresa.

Concluindo, são os “GIVERS” que estimulam a reciprocidade. Assim, os líderes devem estimular esses elementos de forma a obter o comprometimento do seu pessoal. Um líder é o que tem as pessoas, um chefe é o que tem um título e recorre ao exercício da sua autoridade de posição.


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Author

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Jorge M.

Professor e responsável pelo clube a minha carreira.

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