Ciência e Tecnologia ·

Secos e molhados: os dias, claro.

A água é vida, mas para se viver, no sentido humano da palavra, são também precisos alguns dias secos. A meteorologia quase sempre consegue prever a fatiota mais adequada para o dia do amanhã.

Contudo, existem outras tecnologias à disposição daqueles que pretendem dar o seu contributo para o conhecimento global.

Não me refiro à arte de prever com base na dimensão do rasto que os aviões deixam atrás 🤓. Para quem não sabe, essa mancha branca corresponde ao gelo formado na solidificação da água atmosférica, cuja nucleação é catalisada pelas partículas emanadas dos motores do avião e, quanto mais humidade, mais gelo formado🥶!!! Contudo, essa correlação não está isenta de viés e logo as suas previsões irão falhar.

O tiro mais certeiro é quando as nuvens - formadas por gotículas de água no estado líquido -, pairam sobre as nossas cabeças 🌧. Aí não restam dúvidas do que irá acontecer e a decisão tomada pela manhã, sobre a tal fatiota, vai conhecer finalmente o seu veredicto.

Nota: não sei se sabem, mas o vapor de água não é água no estado gasoso. A água no estado gasoso não se vê. Aquilo a que chamamos de vapor de água é, no fundo, uma mistura de gotículas de água líquida e de água no estado gasoso que, mal se forma, logo sofre condensação em virtude das atuais condições ambientais de temperatura e pressão. Este facto pode ser demonstrado de uma forma muito simples: basta comparar a quantidade de vapor libertado durante a fervura da água numa panela com o fogão aceso (i), com o vapor libertado pela mesma quando se desliga o fogão (ii). Verifica-se que a quantidade de vapor libertado é maior em (ii), que é onde predomina a condensação. Conclui-se assim que é a condensação que origina o vapor e não a vaporização.

Mas vamos ao que interessa...

Uma das tecnologias que nos ajudam a entender a natureza é o Google Earth Engine (GEE). Trata-se de uma plataforma de aplicações geoespaciais disponíveis numa cloud que tem ao seu dispor toneladas de dados recolhidos pelos satélites. Entre estes incluem-se os do famoso programa Landsat, bem como vários outros conjuntos de dados climáticos.

Estes recursos estão disponíveis a qualquer pessoa que tenha interesse na área, bastando para o efeito uma ligação à internet relativamente decente, a efetivação de um registo nessa plataforma e alguns conhecimentos de javascript.

O registo pode ser feito no site Google Earth Engine

A plataforma já tem disponíveis vários scripts para teste. Para quem quiser começar é recomendável que corra alguns desses scripts e, numa fase posterior, altere as coordenadas geográficas de forma a obter informação sobre alguma área do seu interesse.

Neste primeiro estudo estou interessado em estudar a pluviosidade na cidade de Chaves, procurando identificar os dias em que a pluviosidade é máxima e mínima. O script que utilizei foi o seguinte:

// load
var landCover = ee.ImageCollection('MODIS/006/MCD12Q1');
var country = ee.FeatureCollection('USDOS/LSIB_SIMPLE/2017');
// filter
// filter on image for 2017 and clip with country shape
var modis2017 = ee.Image(landCover.filterDate('2016-01-01', '2016-12-01')
                .select('LC_Prop1')
                .first()); //.clip(sel);

var sel = country.filter(ee.Filter.eq('country_na', 'Portugal'));
print(sel);

var chuva = ee.ImageCollection('UCSB-CHG/CHIRPS/PENTAD')
.select('precipitation')
.filterDate('2010-01-01', '2020-12-31')
.filterBounds(sel);

var point = ee.Geometry.Point( -7.464524591015624, 41.73497499014369);
Map.addLayer(point, {}, "Poin");

print(ui.Chart.image.series(chuva, point, ee.Reducer.mean(), 1000));


var chart2 = ui.Chart.image.doySeries(chuva, point, ee.Reducer.mean(), 1000);
print(chart2);

var chart3 = ui.Chart.image.doySeriesByYear(chuva, 'precipitation', point, ee.Reducer.mean(), 1000);
print(chart3);

Neste script são carregados dados de pluviosidade que o programa Landsat registou durante dez anos na cidade de Chaves. Para correr este script é necessário clicar em "Run". Os resultados estão apresentados nos gráficos que se seguem.

No primeiro pode verificar-se que o dia mais chuvoso nos últimos dez anos foi 16 de dezembro de 2019, com uma pluviosidade de 117,71 litros por metro quadrado; seguindo-se o dia 26 de março de 2013.

Gráfico um

No segundo gráfico apresentam-se os valores médios diários de pluviosidade na cidade de Chaves. Assim, nos últimos dez anos, na cidade de Chaves, os dias do ano que costumam ser mais chuvosos são os números 346 (12 de dezembro)e 326 (22 de novembro), ordem decrescente de pluviosidade. Como curiosidade, entre estes dois máximos há um mínimo no dia 336 (2 de dezembro). Já o menos chuvoso do ano tem sido o número 71 (12 de março).

Gráfico dois

No terceiro gráfico podemos observar a evolução da tendência da pluviosidade ao longo dos dias do ano, de ano para ano. A tendência de menos chuva no verão verifica-se como é expetável, não havendo grandes excepções a reportar. O ano 2018 parece ter sido o que apresentou maior pluviosidade nesta estação, mas as diferenças não são significativas.

Gráfico três

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Author

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Jorge M.

Professor e responsável pelo clube a minha carreira.

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